MOSTRA AURORA – Só existe seta quando não há caminho

Roberto Cotta

Primeiro, um passeio com o todo. Digo “com” ao invés de “pelo” não à toa, pois a ideia de sobrevoo crítico nunca me agradou. Prefiro caminhar com os filmes lado a lado, me ajustando às suas qualidades e defeitos, sem solenidade. Assim, me sinto à vontade para conversar olhando nos olhos, de modo que também possam entender minhas limitações. Depois, farei uma excursão com cada um, aos poucos compreendendo suas essências.

Em síntese, a Aurora deste ano apresentou uma diversidade estética poucas vezes vista. De um documentário observacional como Açucena (2021), de Isaac Donato, a uma ficção lúdica como Rosa Tirana (2021), de Rogério Sagui, existem abismos. Mergulhar neles talvez seja importante pra encarar uma obra experimental como Oráculo (2020), de Melissa Dullius e Gustavo Janh, ou um filme-processo como O Cerco (2020), de Aurélio Aragão, Gustavo Bragança e Rafael Spínola.

Se não quiser saltar, não tem problema. O recuo pode ser fundamental para enfrentar a afetividade além-mar de Kevin (2021), de Joana Oliveira, o horror confinado de A Mesma Parte de um Homem (2021), de Ana Johann, ou o riso melancólico de Eu, Empresa (2021), de Leon Sampaio e Marcus Curvelo. Independente do caminho, dele resultam tropeços, torções e sopros de calmaria. Fato é que não se passa ileso ao trajeto.

Dedicada a cineastas com até três longas-metragens no currículo, a mostra foi inaugurada por Açucena, que depois se tornou vencedor do Troféu Barroco. Trata-se de um filme com ritmo vagaroso e longos planos de contemplação de personagens, ações e espaços, quase sempre os escondendo mais que revelando. Tais escolhas aclimatam um mistério em torno da personagem-título, cuja presença se manifesta apenas no final. Mas o percurso narrativo é atravessado mesmo pelas vivências de Dona Guiomar, mulher negra, na casa dos 60 anos, que coleciona um número infindável de bonecas brancas, loiras e falantes.  

O universo observado é fascinante, sobretudo pelo caráter dissensual que possui. Por que Dona Guiomar se identifica tanto com esses brinquedos de aparência diferente da sua? Por que a decoração infantil toma conta de seu lar? Por que a tão falada Açucena demora a aparecer? Por que há tanta naturalidade em tentar agradá-la?

O filme não soluciona essas dúvidas, o que é bastante louvável. Em contrapartida, prefere cortejá-las de forma distanciada. São vários os planos permeados por obstáculos, filmados à espreita ou mediados por reflexos, com total receio de invadir o cotidiano dos personagens. No entanto, se sobra respeito, falta partilha. Dessa forma, o filme nunca se desprende de sua premissa. Já o percurso de Dona Guiomar parece o tempo todo desafiar o registro a embarcar em suas complexidades.

O ponto alto dessa dissonância acontece na cena mais íntima, quando vemos a personagem interagir com uma de suas bonecas falantes em seu quarto. Nesse momento, percebo que Dona Guiomar tem um pouco de Açucena todos os dias, não apenas quando a erê se manifesta. Seus gestos são muito táteis, praticamente convidando o filme a entrar na brincadeira. Só que a câmera se posiciona de forma afastada, registrando-a em segundo plano, em meio a duas de suas bonecas servindo como moldura. E mesmo quando a câmera se aproxima, é por breves instantes, somente para estabelecer um raccord que possibilita uma leitura ficcional. De toda maneira, há consistência e metodismo na sustentação de um estilo particular, fazendo com que meu interesse pelo trabalho de Isaac Donato apenas cresça.

Por falar em método, o segundo longa exibido na Aurora se constrói a partir de um dispositivo bastante rígido. Realizado em película, Oráculo é composto por seis planos-sequência que têm praticamente a duração de um rolo 16mm, algo por volta de dez, onze minutos. Há também um plano mais curto no ínicio, que acompanha a cartela-título. Ser humano, espaço e tempo são as matérias que lapidam sua construção. Em cena, três personagens distintos: um rapaz tragado e expurgado pelo mar (Juarez Nunes), um senhor que caminha pela passarela de uma cidade transformada (Fernando Goulart Jahn) e uma jovem artista dando os primeiros passos rumo à maturidade (Alice Bennaton).

Ao contrário do que se espera de um oráculo, não há respostas prontas nem previsão de futuro. O caminho se faz ao andar. Os personagens agem diante do tempo estabelecido, criando associações simbólicas com o espaço que os rodeia. A vida e a morte são como as ondas que se chocam contra o rochedo, o passado e o presente estão aprisionados no mesmo quarto, a velhice é uma ponte que nos torna ilha. Nas duas cenas mais emblemáticas, a menina artista canta e ouve sua própria gravação, depois ela mesma anda à beira-mar e volta transformada em mulher (Luana Raiter). Tais momentos traduzem a noção de passado, presente e futuro habitando uma mesma espacialidade, grande tônica do filme.

Contudo, apesar da esplendorosa composição formal do duo Distruktur, conhecido por suas experiências atravessadas pelo exílio, sinto falta de uma abertura para que personagens e espaços possam suplantar o tempo material enclausurado pelo dispositivo. A desorientação incessante de outros registros da dupla, tais como Muito Romântico (2016) e El Meraya (2018), agora abre caminho para uma codificação espaço-temporal mais delimitada. Não deixa de ser uma aposta perspicaz, embora eu nem sempre tenha conseguido nadar na mesma correnteza.  

Toda edição de Tiradentes tem uma narrativa própria. A deste ano valorizou as dissonâncias radicais entre os filmes selecionados para uma mesma mostra. Na Aurora, esse aspecto tornou-se definitivo a partir da exibição de Rosa Tirana, no terceiro dia do evento. Se Açucena e Oráculo prezam pela concepção de planos duradouros, quase sempre estáticos ou com lentos movimentos de câmera, o longa de estreia de Rogério Sagui se lança numa articulação estética oposta. Decupagem e montagem possuem ritmo fluído, acompanhando a orientação narrativa. Tal fluidez, é preciso dizer, facilita a caminhada do espectador, praticamente apaziguando sua relação com o que é mostrado.    

No sertão nordestino, andamos junto com Rosa (Kiarah Rocha), criança pobre que foge de casa à procura de Nossa Senhora Imaculada, com o intuito de pedir à Santa que traga água ao seu povo. Sua jornada é situada entre a realidade, o pesadelo e o sonho. Mas ao contrário da Dorothy de O Mágico de Oz (1939), não existe amizade que possa lhe dar abrigo. Na melhor sequência do filme, isso fica bem claro. A menina recebe carona de um coronel (Rogério Leandro), que se aproveita dela e tenta torná-la cativa em sua fazenda. A ameaça de abuso sexual é filmada com bastante argutez. Sem nunca mostrar o rosto do coronel, vemos apenas fragmentos monstruosos de seu corpo e as reações angustiadas de Rosa. O mal, desse modo, é uma espécie de encarnação demoníaca, sem escrúpulos. Guardadas as devidas proporções, é como a imagem de horror de Robert Mitchum em O Mensageiro do Diabo (1955), entretanto sem face. Mas em Rosa Tirana o mal não tem rosto, ele se generaliza sertão afora e toma conta do solo árido por onde se pisa.   

Todavia, apesar de boas escolhas formais em determinadas cenas, o filme padece de uma inventividade narrativa que possa ser melhor conjugada com seus atributos estéticos. No fim, o tom excessivamente pueril do enredo restringe a obra a um nicho de consumo muito específico, causando impressão de que as melhores experiências que tende a gerar encontram-se no circuito comercial televisivo.

Ainda assim, é interessante pensar sobre a atualização sertaneja que propõe, forjando pra si um onirismo palatável, em certa medida distante da tradição legada pelo Cinema Novo. Destaque também para a breve participação de José Dumont, que interpreta o avô de Rosa, um cego que parece traduzir a secura e a fertilidade de ideias que o próprio sertão proporciona.

Do sertão singramos para o além-mar. O filme exibido no dia seguinte foi Kevin. O documentário de Joana Oliveira começa em Belo Horizonte, apresentando rastros íntimos de sua própria rotina. Sabemos que Joana é professora, casada, tem um pai adoentado e se recupera de um aborto espontâneo. A troca de mensagens com sua amiga Kevin (Adweko) provoca uma vontade de mudança. Joana, então, deixa a capital mineira e parte para Uganda, terra-natal da camarada.

Daí pra frente vemos um filme de partilha, sobretudo espacial. Joana e Kevin quase sempre dividem o mesmo quadro, o que demonstra cumplicidade na convivência, ainda que ambas não se vejam há 20 anos, desde que moraram juntas na Alemanha. Mas as complexidades não demoram a se materializar. A branquitude de Joana destoa da pele preta das pessoas que transitam pelas ruas, feiras e demais espaços do lugar visitado. E, apesar da sintonia visível, Joana e Kevin não possuem a mesma trajetória de vida.

Uma cena, em específico, demarca essa discrepância. Kevin descreve as situações de racismo velado que sofreu com a filha enquanto esteve na Alemanha, coisas que Joana imagina por empatia, mas não tem como sentir na pele. Curioso que este é um dos raros momentos em que Kevin é mostrada num plano específico sem a presença de Joana. A decisão de registrá-la dessa forma é bastante justa, dando destaque ao seu relato. Mas me parece pouco diante de um filme dedicado a ela.

Ironia à parte, Kevin é o oráculo que o filme da Distruktur não possui. Seus gestos e falas são sempre precisos, desprovidos das inseguranças demonstradas por Joana. No entanto, teria sido mais propositivo investir no que o filme tem de melhor, que são as experiências vividas por Kevin em seu dia a dia, seja na Alemanha ou em Uganda, revelando ecos de uma existência repleta de camadas.

Ao invés disso, a narrativa se concentra mais em Joana, no afeto que ela emana e nas fugas que enfrenta para estar ao lado da amiga. A companhia de Kevin é para Joana um refúgio. Um abrigo que ameniza os traumas do aborto, a iminência de morte do pai ou o passeio de rafting que deu errado. Desse esconderijo brotam situações de incandescente acalanto, que fazem com que o filme comece, se desenvolva e termine de forma agridoce, algo que também tem seu valor.

A mostra Aurora seguiu com A Mesma Parte de um Homem, obra que rendeu à diretora Ana Johann o prêmio Helena Ignez de destaque feminino em Tiradentes. Renata (Clarissa Kiste) vive com o marido Miguel (Otávio Linhares) e sua filha Luana (Lais Cristina) em um ambiente rural bastante rude. Um acidente repentino acarreta a morte de Miguel. A partir de então, Renata terá de combater a ameaça incessante de outros homens, temor que se acentua com a chegada de Lui (Irandhir Santos), um desconhecido sem memória que aparece em seu sítio.

O medo logo se torna oportunidade. E esta é zona limiar na qual o filme melhor se coloca. Renata é uma mulher acuada pelo patriarcado que vê no rapaz a chance de proteção? Ou é alguém que se aproveita de Lui para satisfazer seus desejos sexuais reprimidos? As duas coisas convivem no mesmo campo, com fronteiras diluídas. E se Lui pode ser visto como o oposto do falecido marido, ou seja, um cara fino, educado e nada rústico, o clima de tensão criado em torno dele dá a entender que é capaz de manifestar o mal a qualquer momento. Afinal, Lui também seria uma metonímia de todos os homens, que só não é agressivo porque ainda não recuperou a memória. Ou, até mesmo, pode ser entendido como um duplo disfarçado de Miguel.   

A mise-en-scène de A Mesma Parte de um Homem é composta por uma atenção especial à reação dos personagens, enquanto o que é fabulado se instaura no extracampo. A situação mais deflagradora dessa percepção encontra-se na parte final, quando Lui e Luana saem pra caçar e só voltam tarde da noite, deixando Renata apreensiva. O tempo todo intui-se um abuso sexual que faz com que a mãe perca as estribeiras e coloque Lui contra a parede. Para a construção desses gestos, quase toda a sequência aposta na reação de Renata e em seu imaginário, ao passo que nós, espectadores, seguimos na dúvida sobre o que realmente aconteceu.

Não deixa de ser essa uma metonímia do próprio filme. Entre as partes que nunca se encaixam, prefere-se acreditar nas incertezas do todo como forma de segurança. O problema é que, por mais que se dê trela pro discurso totalizante, a obra perde a oportunidade de tentar entender melhor suas partes. Dessa maneira, Lui torna-se mero adereço deslocado em meio às necessidades de Renata. E o perigo que se instala ao seu redor é sempre distorcido, nunca recebendo contrapontos. A hierarquia do olhar de Renata sobre o de Lui deixa o filme embarcar num caminho que parece simples, mas tem mais imperfeições do que a gente imagina.

O sexto dia da Aurora trouxe a estreia de O Cerco, filme concebido ao longo de sete anos (2013-2020). O período não poderia ser mais peculiar. Em 2013, uma série de manifestações populares tomou conta do país, abalando as estruturas do governo Dilma Rousseff. De lá pra cá, muitos acontecimentos têm levado a esquerda ao completo estado de apatia.

O Cerco não toca diretamente nesses assuntos, mas mostra que seus desdobramentos deixaram marcas profundas. Tais cicatrizes, por sua vez, não são apenas sociais, cravadas numa reação coletiva de rebanho. É nisso que o filme acredita, portanto olha pro todo sempre se debruçando sobre os efeitos gerados no plano subjetivo.

O indivíduo em foco é Ana (Liliane Rovaris), pessoa da qual pouco se sabe. O que se tem conhecimento é que é atriz, possui uma filha, um cachorro, é divorciada e mora num lugar que não é bem um prédio nem uma casa. E mesmo as coisas que conhecemos não chegam a se transformar em abordagem. O Cerco aborda mesmo é a clausura emocional e o medo de perder o pouco que se tem num país entregue às ruínas, cada vez mais reconectado a um passado sombrio.

A estilística se articula através de espaços e tempos desordenados. Tal aspecto já se nota desde o ínicio, quando três crianças brincam de cabra-cega. Com os olhos vendados, uma delas tenta, em vão, acertar as outras duas. Em que época isso se passa também não sabemos. E assim o filme segue o seu trajeto. Com uma venda no olhar, tentamos intuir os rumos narrativos, mas sem poder decifrá-los. Entre apresentações teatrais de comédia sem riso e áudios gravados na época da ditadura, Ana tenta lidar com fantasmas que parecem mais vivos que nunca, seja no andar de cima, de baixo ou dentro de seu lar.  

O grande trunfo de O Cerco é fazer da sugestão uma condição imanente. Ao evitar a assertividade para confrontar o caos político, o filme nos permite embarcar na agonia impassível de Ana. E desse estado individual traçamos pontes imaginárias em direção ao coletivo. A concretização desse movimento pode ser vista numa das cenas finais. O plano mostra Ana diante de um microfone a cantar “Meu Disfarce”, de Carlos Colla e Chico Roque. Em questão de segundos, o microfone fica só, a música continua e a atriz segue para o palco na companhia dos colegas de teatro, brincando, sorrindo, se contorcendo. O filme de Aurélio Aragão, Gustavo Bragança e Rafael Spínola talvez fale mais à classe artística, à esquerda classe média/rica, mas fala com um dor tão grande que até eu consigo sentir.           

Havia dois caminhos possíveis para a construção de Eu, Empresa, último filme da Aurora. O primeiro era o do cinismo, tomando emprestado um universo que lhe é alheio apenas para fazer chiste ou galhofa. O segundo era o da escuta e, consequentemente, interação com o objeto filmado, nunca se colocando acima ou abaixo de suas jogadas. Por sorte, o filme acerta na mosca e trilha o segundo percurso, tendo que desafiar todos os buracos que aparecem no meio da estrada.     

Como em vários dos curtas de Marcus Curvelo, vemos mais uma vez os dramas burgueses de Joder, personagem interpretado pelo próprio cineasta, que representa um narcisista fracassado incompatível com as exigências do mundo do trabalho. Mas não nos esqueçamos de que se trata de um filme dirigido por duas pessoas. Portanto, talvez seja importante lembrar das relações que o longa estabelece com Peito Vazio (2017), curta que Leon Sampaio correalizou com Yuri Lins, um dos melhores exibidos em Tiradentes nos últimos anos. Nessa obra, acompanhamos um rapaz desolado com o abandono da namorada, tentando sobreviver num país derrubado pela crise política. Tal como o curta mencionado, Eu, Empresa entende que a melancolia é permanente, a sobrevivência é necessária e o retorno ao passado é decerto impossível.

Resta seguir adiante. Ou seja, Joder precisa se adaptar aos novos tempos. E ele até tenta. Aprende sobre empreendendorismo, faz crossfit, procura ajuda de uma coach (Ritah Oliveira), esboça carreira de digital influencer, mas nada dá certo. Nas marés da grande rede, o sucesso não é tão fácil como muitos prometem. O personagem procura outros nortes. Faz bico como uber, pega um freela para dublar vozes infantis de um aplicativo, filma a construção de uma obra para empreiteira etc. Tudo isso dá a impressão de ser modulado através de esquetes, que não têm o desejo de confeccionar um arco narrativo linear, o que diz muito sobre Joder, sempre andando em círculos e não chegando a lugar algum. Até que, inesperadamente, o sucesso aparece. Mas, claro, ele também não demora, pois Joder é epítome da própria obrigação de ser um fracassado, não importa como, onde e por quê.

“O coach é presente e futuro”, diz sua orientadora vocacional. O passado precisa ficar pra trás. Entretanto, o filme brinca com essa confusão temporal do personagem, permitindo que passado, presente e futuro se cruzem e façam de seu destino uma areia movediça. Uma sequência ilustra bem essa estrutura. Enganado numa corrida de uber, Joder tenta constranger uma passageira no aeroporto, mas não a encontra. Em seguida, à beira da praia, faz um vídeo em primeira pessoa contando sua frustração. O vídeo viraliza, porém ele toma um enquadro de um amigo, que alerta que nem pro fracasso ele tem vocação. Tal sequência é a arte final de um desenho que se esboça do começo ao fim, algo que me agrada bastante e que corresponde às experiências e ao estado de espírito de toda uma geração. É como se o filme caminhasse um pouco, encontrasse uma pedra preciosa no meio do caminho, percebesse que era bijuteria e voltasse à primeira casa do jogo, sempre de cabeça baixa. E, ao tentar outro percurso, se deparasse com os mesmos elementos, numa rota infinita de sorte e azar.

Quem me vê escrevendo assim talvez pense que Eu, Empresa é um filme de só risos. Na verdade, o longa sobre a trajetória de Joder é de uma melancolia solitária que dá dó. Vemos nos ombros do personagem e em sua postura arqueada a tristeza de um clown. Mas vez ou outra até rimos dele. Rimos, porém é melhor que seja escondido, porque se alguém bem-sucedido nos pega, teremos que fechar a cara muito cinicamente. Falando nisso, não poderia haver fracasso maior ao filme do que ganhar a Mostra Aurora. Ainda bem que perdeu. Joder pode finalmente celebrar seu sucesso e continuar sua caminhada de lágrimas. Já eu me despeço aqui.